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Data de Publicação: 
quinta-feira, 20 Abril, 2017 - 08:42

Quem já assistiu ao filme “Erin Brockovich – Uma mulher de Talento” (2000) estrelado pela atriz Julia Roberts sabe dos perigos que o Cromo hexavalente (Cromo (VI) ) oferece à saúde humana. O filme, baseado em fatos reais, retrata uma história da década de 90, onde uma mulher se empenha em comprovar que os inúmeros casos de câncer, ocorridos entre os moradores da cidade de Hinkley (California-EUA), estão relacionados à contaminação dos lençóis freáticos da cidade pelo Cromo(VI) utilizado pela empresa Pacific Gas and Eletric Company (PG&E) .
 
O Cromo(VI) é empregado em curtumes, fábricas de tintas, metalúrgicas, galvânicas, indústrias automobilísticas, eletroeletrônicas e aeronáuticas. Nas indústrias automobilísticas, chapas eletrozincadas recebem uma camada intermediária a base de íons Cromo(VI)  ou Cromo(III) antes da aplicação da tinta para proporcionar a aderência e aumentar suas propriedades protetivas. Os íons metálicos agem como um inibidor que aumenta a resistência à corrosão dos materiais. Além da contaminação do solo e do lençol freático, o Cromo(VI) também apresenta grandes riscos à saúde dos operadores da indústria quando estes realizam o “banho de cromo” em peças metálicas.
 
Antes mesmo do escândalo e a repercussão do caso da PG&E, estudos já eram realizados no mundo todo para eliminar a utilização do Cromo(VI)  das indústrias devido a sua alta toxicidade.  A cada dia, a legislação ambiental faz severas restrições à utilização de produtos que causem impactos negativos ao meio ambiente. Diante disso a pesquisadora da Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP, a Profa. Dra. Célia R. Tomachuk e o pesquisador, Prof. Dr. Mark A. Baker da University of Surrey-UK, vão tentar encontrar um substituto para o Cromo(VI). Recentemente, o projeto desenvolvido por eles, “Development and characterization of chromium-free layers applied on galvanised steel”, foi contemplado pelo programa - SPRINT - São Paulo Researchers in International Collaboration - da FAPESP. O projeto teve ainda a parceria de José Mário Ferreira Júnior, pós-doutor financiado pelo programa Ciências sem Fronteiras e do doutorando Gustavo Ferraz Trindade, financiado pela Capes.
 
O programa SPRINT da FAPESP visa estabelecer o intercâmbio entre pesquisadores de Instituições Estaduais Paulistas e pesquisadores do exterior com o objetivo de promover avanços em resultados de pesquisas de grande relevância para o mundo científico. O projeto prevê a mobilidade de alunos e docentes de ambas as instituições e tem vigência de 24 meses.
 
Parte das pesquisas acontecerá no Brasil e outra parte no Reino Unido. As alternativas a serem testadas, explica a pesquisadora da EEL/USP, a Profa. Célia; são eletrólitos contendo sais de cério e/ou sais de zircônio utilizando o processo de deposição química. A realização de ensaios de corrosão aliados à caracterização dos materiais para entender a composição e a morfologia dos novos revestimentos alcançados com diferentes condições de processo permitirá compreender a relação entre as propriedades e a estrutura os novos sistemas. “Aqui serão obtidos novos revestimentos e avaliadas as propriedades protetivas contra a corrosão. No exterior será feita a caracterização de sua superfície” relata a pesquisadora.
 
A Profa. Célia revela que há grandes expectativas de se aprimorar o processo de obtenção de revestimentos isentos de íons cromo conciliando os seguintes fatores: efeitos toxicológicos e ambientais; viabilidade técnica e econômica e desempenho frente à corrosão compatível ao do cromo hexavalente.
 
A pesquisa em questão irá contribuir significativamente para o esforço atualmente desenvolvido em todo o mundo para encontrar um substituto ecologicamente amigável, economicamente aceitável e tecnicamente eficaz para revestimentos à base de íons de cromo” salienta a pesquisadora da EEL. Além disso, espera-se também ampliar e dinamizar a cooperação técnico-científica entre USP e a University of Surrey.  
 
Indiscutivelmente, os avanços nesta área trarão progressos expressivos para indústria e para o meio ambiente podendo assim, impedir que milhares de pessoas continuem a ser contaminadas pelo Cromo hexavalente.

Leia a notícia no  Jornal da USP

Texto e foto: Simone  Colombo
 
Na foto a Profa. Célia Tomachuk