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Data de Publicação: 
quinta-feira, 16 Março, 2017 - 14:31

Nesta terça-feira, dia 14 de março, aconteceu na Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP uma palestra com a Professora Marcia Thereza Couto Falcão, Professora Associada do Departamento de Medicina Preventiva, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo. A palestra é parte das atividades comemorativas do Mês da Mulher. Profa. Marcia é uma das coordenadoras da Rede Não Cala! USP, movimento criado por um grupo de pesquisadoras da Universidade há 2 anos.
 
A palestrante explicou aos presentes que a Rede Não Cala! USP visa dar voz e suporte às vítimas de violência sexual e de gênero ocorridas dentro da Universidade. A Rede funciona de forma independente e autônoma e possui professoras de várias unidades da USP. Dentre as ações promovidas pelo grupo estão: debates que provoquem o enfrentamento de atos violentos contra mulher; incentivo à criação de espaços para receber adequadamente as vítimas e o preparo de profissionais para que possam prestar o devido acolhimento e orientação às vítimas. A Rede visa ainda instigar a organização de grupos que discutam e provoquem o enfrentamento do tema dentro da Universidade.
 
Márcia revela que os estudos na área apontam como a raiz de atitudes violentas; o machismo. “O machismo é um traço forte da população latina. Faz parte da nossa cultura. O machista não se identifica como tal porque o sentimento está muito enraizado culturalmente e o que é pior, muitas vezes, quem recebe ações machistas, também as vê de forma natural porque atitudes desta natureza fazem parte do ambiente no qual estamos inseridos” relata a pesquisadora.
 
Segundo ela as taxas de assassinatos e violência contra as mulheres no Brasil é uma das maiores do mundo. A professora explica que o que vivenciamos dentro da Universidade nada mais é do que um reflexo da sociedade atual.  As pesquisas realizadas sobre o tema assinalam que o cerne do problema está na ascensão socioeconômica da mulher “Quanto mais a mulher se destaca, maior a agressividade do homem! Isto está relacionado diretamente com a perda de poder, perda de controle sobre a mulher.” Argumenta a palestrante.
 
A violência sexual e de gênero pode ocorrer de várias maneiras como: controle da liberdade, oposição ao modo de se vestir, invasão ou cerceamento de privacidade, agressões verbais ou psicológicas, perseguições, assédio, violência física e assassinatos.
 
Para a pesquisadora é necessário que esta discussão se torne comum dentro da Universidade. Ela vê como essencial a criação de grupos, em todas as unidades, que realizem debates a respeito da violência sexual e de gênero até que o tópico seja tratado de forma oficial pela Universidade. “As denúncias não podem parar nos relatos! Isso é inconcebível!” Diz Marcia.  “!É preciso levar esse assunto às instâncias maiores. É primordial que ele esteja previsto no código de conduta da USP” defende.  Para a representante da “Rede Não Cala! USP”, já está na hora de institucionalizar esse assunto. “Só assim poderemos acolher, saber as medidas a serem tomadas, orientar dignamente as vítimas das agressões e punir devidamente os agressores.” finaliza.